Desde que me entendo por gente pensante...Penso nelas...Mulheres da minha vida - doces harpas agudíssimas...maternas, femininas e fatais...Nunca iguais em pele, cheiro, olhares e gemidos...Mas todas agudíssimas...e tristes.Tia S...Pré-escola...Eu já olhava aqueles longos cabelos negros...lisos, que brilhavam tanto para mim, mas aquele olhar...Triste, sonhador de uma professora Católica Apostólica Romana...Triste mesmo - tanto que - depois tornou-se filósofa. E eu - tornei-me delas... Minhas mãos ansiosas para tocá-las...Para tê-las em mim e para mim...Minhas mulheres maravilhosas. Minha ânsia nasceu cedo. Estudei, conheci o mundo através das sombras projetadas nos livros roubados na escola. Meu desejo era ser mulher, de outra mulher...mas para isso eu precisei conhecer cada ponto...cada detalhe do meu corpo. Minuciosamente como a alma que tem a consciência de todas as vidas e sua finitude...conheci e corri. Assim que a gaiola se abriu, eis que fui ao encontro do meu desejo. Desejo reprimido, desejo machucado, desejo renunciado pelo amor de filha culpada...de filha que tem medo de crescer e se mostrar mulher...mulher que gosta de mulher. Alcei vôos tão altos, senti tanto prazer que hoje, já não consigo pousar.Prefiro a plenitude do céu..esse céu que me absorve simplesmente por ser meu cenário de liberdade..Azul e Profundo..como o Mar e o Sexo.Meu primeiro amor...o gosto daquilo era bom. Ácido, dolorido e quente como as palavras dela entrecortadas de soluços ao gozar em mim...a me mostrar o amor entre mulheres...aprendi a beijar e chupar bala ao mesmo tempo...Amorzinho inocente...Caminhadas solitárias pensando num modo de fazer durar para sempre...Meu segundo amor...o gosto daquilo era diferente. Aprendi que a alma pode ser dominada pelo prazer...prazer e paixão não podem dar as mãos. O resultado é sempre o excesso...muito amor, muita paixão, a dor e a língua, o corpo, a promessa...Caminhadas solitárias pensando num modo de fazer que aquilo não durasse para sempre.Outros amores...Suor, sangue, dentes, olhares, lugares, o cheiro que impregna e toma conta...na tentativa vã de repetir as sensações...a terra consome todo líquido derramado..eu me consumi de paixão por todas elas.Cada pedacinho, cada poro úmido que jorrou de prazer por mim...me mostrou, que eu sou, parte... Pedaços delas vociferados por dentro dos meus ouvidos - tímpanos insones.Vozes que não se calam, corpos que não descançam...todos infiltrando meu ser que na verdade se torna a cada dia...fragmentado por milímetros cúbicos de amor por todas, esquadrinhadas no meu peito...que sangra e escreve." e se antes um pedaço da maçã, hoje eu quero a fruta inteira.e da fruta eu tiro a polpa, da puta eu tiro a roupa...”
(desconhecida)
MUDAMOS !!!
Há 15 anos


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